VILANCETE DO ENTERRO

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VILANCETE DO ENTERRO


20 de março de 2019
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Esta cova em que estás
Com palmos medida
É a conta menor
Que tiraste em vida
João Cabral de Mello Neto

Não lamenta enquanto
A pá de terra te dá um manto

Toda a terra tem tesouros
Pratas, ouros e manás
A terra que te pesa no couro
Esta cova em que estás

Desde o começo dos dias
É a paz que tu querias

Teu último endereço
Tua parada conhecida
Uma mortalha do avesso
Com palmos medida

Agora é tua morada
Tua casa, tua invernada

Para guardar teus tíbios ossos
(Talvez tua porção melhor)
Que de teu existir insosso
É a conta menor

Contenta-te, defunto morto
Com este destino torto

Bem mais alegre que o norte
Que orientou tua lida
Esta terra é a melhor sorte
Que tiraste em vida

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