Um calafrio me bateu bem no meio da nuca

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Um calafrio me bateu bem no meio da nuca


22 de março de 2019

Um calafrio me bateu bem no meio da nuca
quando o barulho de alguém que limpava a garganta ecoou,
tarde da noite, pela janela do quarto.
Acordei e, pela fresta da cortina, vi o céu
vestido de um azul marinho profundo —
quase negro de cores e sons.
Vagamente, lembrei-me que o dia já acabara
para não testemunhar o brilho das estrelas.

Um calafrio me bateu bem no meio da nuca,
e sabia que não era por causa do vento sul, que sempre
faz sua visita nas horas mais inapropriadas,
só para cantar em coro com as cigarras.
Acordei e pensei nas folhas secas espalhadas pela calçada e
me imaginei com um rastelo de arcada bem larga
removendo folhas e cigarras.
Foi aí que liguei a TV e procurei esquecer o que ouvi.
E não dormi mais porque sabia que os
pesadelos viriam para me atrapalhar o sono.

Já é frequente,
mas não consigo me acostumar com esse novo hábito
de estar sozinha…
E você disse que ia demorar um minutinho só.

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