SONETO DA SOLIDÃO

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SONETO DA SOLIDÃO


20 de março de 2019

Sabe-se que os pombos das praças
lambuzam as estátuas de bronze:
Seja Sé, Tiradentes, República, Onze;
nenhuma escapa, nenhuma passa.

Os velhos sentados nos bancos frios,
A marcar o ponto das oito às seis,
religiosamente, dia a dia, mês a mês;
parecem estátuas, por horas a fio.

Um sinal de vida vem somente após
A distribuição do milho, indefectível!
(Iscas de amigos, método infalível.)

Os pombos sabem: são eles só velhos sós.
Comem o seu milho e cagam nos da história,
mancham os seus bronzes, não suas memórias.

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