SEREIA

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SEREIA


19 de março de 2019
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Eu, Odisseu amarrado ao mastro,
esqueci de alertar a nau:
— Não me soltem, não me soltem!
E, plano falho, sucumbi ao canto da sereia.
Não tenho os mil ardis de Odisseu,
nem tenho os conselhos de Circe;
encantado, joguei-me ao mar.

Já cego pela insanidade, nadei.
Nadei, para ouvi-la melhor.
Lutei, tentando calar as ondas.
Já exausto, num instante de razão,
gritei e implorei por ajuda:
— Mnemosine, Circe!
Finalmente, padeci.

Acordei náufrago nesta ilha.
Circe, caprichosa, assim quis.
Foi só uma lição de temperança, disse-me ela.
Aprendi?
Minos que me julgue e releve.

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