O poder do pequeno

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O poder do pequeno


20 de março de 2019

Ganhei um netsuke: um Buda risonho.
Vou colocá-lo em cima do aparador de madeira,
logo na entrada de casa.
Quem entrar pela porta da frente
terá que passar por ele.
Mesmo sendo minúsculo, do tamanho de um netsuke,
não dará para evitá-lo: o gordo estará lá,
de onde ele haverá de dar ao visitante meu melhor presente:
Uma prédica.

Aí, daquele sorriso aberto sairá uma gargalhada gostosa,
cativante, verdadeira,
que se espalhará feito fogo em mato seco,
feito boato em cidade pequena,
feito bolinhas de gude caídas em ladrilho inclinado.

Como se tivesse pegado um vírus supercontagioso,
logo o meu convidado estará rindo por todo o corpo
e sua barriga balançará com o riso farto e fácil
e seus pés pularão alegres de tanto gargalhar
e, já sentado, perderá o fôlego
e rirá tanto, tanto, tanto até se mijar.

Contudo, nenhuma palavra terá sido ouvida
pelo meu convidado zen.

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