O obscurecimento

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O obscurecimento


20 de março de 2019

Aqui estou eu, numa tarde azul como nunca,
me procurando no imenso avarandado,
recolhendo minhas memórias e seus gritos
para testemunhar o fim do mundo.

Dou falta de algumas delas pela solidão do silêncio.
(Perder é um ato não ato,
porque quando se perde
não se consente, nem se dá conta
até que se necessite.)

Recuso-me a perdê-las!
Quero tê-las até os meus ossos ficarem pálidos sob a terra.
Também me recuso a ficar pretérito
e viver em função delas,
recontando as mesmas histórias
para as mesmas pessoas no almoço de domingo.

Adio o Apocalipse.
Cruzo minhas mãos e me encosto na parede da varanda,
olho para dentro de mim,
um mundo inteiro vivo,
agora
escuto todos os gritos de minhas lembranças
– boas ou nem tanto –
e aprendo a escutar-me, finalmente.

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