O império dos fatos

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O império dos fatos


20 de março de 2019

A noite desabou sobre a cidade.
Num apartamento vazio de gente
Nada parece ter mudado de cor.
Não há solidão maior.

À luz do dia, as personagens dos quadros
Pendurados e perfeitamente alinhados,
Conversaram sobre o som do martelo na parede;
Agora, na escuridão da noite, jogam canastra
Sob a luz impressionista de uma cópia barata de Monet.
Não há silêncio maior.

Alheio à realidade, um gato, única vida presente,
– Pelo menos da maneira como a conhecemos –
Afia suas garras no veludo da cortina,
Antes de escapar pela fresta da janela da cozinha.

Ali é o fim do mundo, o fim do mundo;
O repouso dos homens talhados a golpe de cinzel;
O vazio cheio de coisas desnecessárias
À espera de vida. Vida útil. Vida precisa.
– Pelo menos da maneira como a concebemos –
Enquanto isso, a noite e suas sombras imperam.

“O horror, o horror.”

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