O encontro

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O encontro


20 de março de 2019

Eu me lembro de que a noite estava escura,
Não pela falta da lua, mas pela chuva e neblina.
Dessas chuvas insistentes que não cessam nunca.
Chuvas de início do outono: frias e sem aviso.

Eu me lembro de que a estrada estava lisa e tensa.
A visão embotada já me pedira uma parada fazia tempo.
O som de percussão dos pingos a bater no para-brisa
Marcava um ritmo inconstante, mesmo assim…

Eu me lembro de que parecia o Bolero de Ravel.
Foram quilômetros e milhas de estradas molhadas
Antes de encontrar um posto de gasolina mambembe
Agregado a um bar-boteco do mesmo naipe.

Eu me lembro de que você estava sentada de costas para a porta,
Seus cabelos estavam molhados e cobriam o espaldar da cadeira.
Imóvel, seu olhar mirava para uma TV porcamente sintonizada
E você nem notou a minha entrada.

Eu me lembro de ter pedido um café num copo americano
(Como todo o viajante contumaz deve pedir)
Enquanto me dirigia ao banheiro para lavar a vista embotada
E ajeitar a camisa úmida e amarrotada.

Eu me lembro de que foi a primeira vez que eu vi o seu rosto.
Confesso que não fiquei perplexo ou surpreso
Porque eu já o soubera de cor e salteado, desde que me conheço,
Minha cara de espanto foi devido ao inesperado.

Eu me lembro de que naquele instante eu passei a existir.

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