O cheiro da madrugada

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O cheiro da madrugada


1 de março de 2019
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E quietos, quase mudos
Seguimos andando pela noite.
Cada um escutando seus próprios passos,
Numa solidão solidária,
Como deve ser entre parceiros.
O pó cinza do asfalto nos sapatos
– Uma companhia silente de costume –
Já tinha nos abandonado no primeiro orvalho.
“Can’t you smell that smell?”, ouvi.
“OOOOHOOOH that smell…”, continuei.
Só! Nem mais um verso se ouviu,
Era a senha para sabermos que ainda vivíamos.

Na cidade que sempre nos pareceu estranha
– durante o dia, pelo menos -,
Agora, sem carros e sem pessoas,
Tudo parecia perfeitamente normal naquela quietude,
Inclusive nossos passos regulares,
E o peso de nossos pensamentos,
E nossa solidão solidária,
Que juntos cultivamos cuidadosamente
Para seguirmos a jornada:
“Can’t you smell that smell?”
“OOOOHOOOH that smell…”
A cidade dorme, sem se importar.

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