O cachorro sumido

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O cachorro sumido


22 de março de 2019

Já sonhei que a noite tava que nem dia e
o dia tava que nem noite,
unidos, como as lâminas de uma tesoura,
e separados, feito as lâminas de uma tesoura.

Já sonhei que o tempo é um rio
rápido,
também já sonhei que o tempo é um perfume
derramado evaporando-se.

E ainda são só três da manhã!
Me levanto para parar de sonhar
pesadelos em forma de sonhos ou, pior,
antes de meu vizinho de porta, 87,
tocar a campainha, obsedante,
à procura pelo seu cachorro sumido há três anos;
escuto um blues cego por Ray Charles,
na boa companhia de um chá de hibisco
e uma coberta sobre os pés.
Parece que sempre foi assim!

Ah, essas madrugadas frias…
nessas é que eu sonho mais e durmo menos,
elas sempre me foram presentes,
e eu lamento pela brevidade da noite, pensando:
O tempo é a coisa mais esquisita que já inventaram.

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