No ar morno e úmido que exsuda do asfalto

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No ar morno e úmido que exsuda do asfalto


22 de março de 2019

No ar morno e úmido que exsuda do asfalto
e dos pátios cimentados
desta numerosa cidade e seus arrabaldes,
a luz reluta em quebrar-se em cores
para cicatrizar tantos lugares inúteis.

O céu é uma espada cinza que paira
sobre as cabeças — desoladas auroras —
esquinas, supermercados, casas e igrejas,
subúrbios e puteiros que não abrem
à luz do dia, mesmo na neblina.

Eu caminho nesse esplendor de tarde,
ninguém me segue ou me nota;
sou o único que consegue ver tudo isso.
Sem o meu testemunho,
Sei que nada disso existe.

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