Necas de pitibiriba

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Necas de pitibiriba


28 de fevereiro de 2019

Sorvete de gianduia na goela
Gela até a raiz do cabelo,
Pelo de barba encravado
E solado de pé-quente.

De repente a gianduia gelada
É entrada pruma saudade
Que invade minha cabeça ligeira,
Costumeira de gostos e cheiros.

Baleiro, pipoca de catedral,
Sal no limão, bule de café quente,
Semente de romã, perfume de lírio,
Círio queimando sobre o bufê.

Qual o quê? A gianduia traz também,
Além das lembranças felizes,
Matizes de feridas não saradas,
Guardadas no fundo da cabeça.

Avessa aos flashbacks tristes,
Malas-artes, acabo a gianduia fria,
O dia fica cinza, quase estrelado;
Saio de lado e penso em ouvir

O “Um bel di, vedremo”, Madama Butterfly.
– Vai mais tristeza? Necas de pitibiriba!

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