A retirada

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A retirada


20 de março de 2019

Guardo no bolso do meu jeans surrado
um guardanapo dobrado, já meio amarelo.

Ali estão escritas, em caixa alta,
as perguntas; as famosas perguntas.
E pra ter certeza de não perdê-lo,
fiz uma cópia noutro guardanapo
e o coloquei na lateral da minha sacola.

Não vou perder minha sacola!

E sei que não preciso dos guardanapos,
as perguntas martelam em minha cabeça,
segundo a segundo, passo a passo.
Já as sei de cor, cuore, core, coração.

Mas se eu, nas minhas andanças,
além dos tênis,
gastasse a minha memória?!
Que sentido teria a vida?

Bom, esta é a primeira pergunta!

E a segunda, e a terceira, e a quarta!
Já que todas as outras são dela derivadas,
até aquela que fala da morte.

Por via das dúvidas, fico com o guardanapo amarelo
dobrado no meu bolso de trás.
Vai que eu encontro a resposta…
Terei um lugar para escrevê-la.
Aí, também em caixa alta, resumirei
– como num haikai de Bashô –
em cor vermelho carmim
meu melhor texto.
E, de imediato, rasgarei o guardanapo!
(Menos o da minha sacola!)

É que as respostas têm copyright!
E cada um de nós tem a sua.

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