A preponderância do pequeno

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A preponderância do pequeno


20 de março de 2019

Para Betina

No dia em que perdeste o teu anel,
tu disfarçavas a dor
porque esfinge és.

Eu te decifrei num milésimo de segundo!
Depois, decifrei, antes de ti, que naquele dia
outras dores aconteciam ao mesmo tempo:

Vi bem-te-vis ressabiados
bebendo na poça d’água barrenta e
vi as flores amarelas dos ipês
caídas no asfalto molhado;

Ouvi o som tangido das cordas do violão
vibrando no acorde final da Bachianinha e
senti o raio de sol do fim de tarde
que se deitava no dorso de um gato sonolento;

Vi lençóis brancos quarando no varal
esticado entre as grevíleas esguias e
senti o desejo que viajara no sopro
que apagou uma vela de aniversário.

Eram dores daquele dia. Também, todas tuas!
Porém, não as viste, cega de tristeza;
perderas mais do que sabias ter perdido.

Passaram. São acontecidos!
E terás que avançar para o começo
para que aceites teu futuro.

Agora, já secaste o rosto e engoliste o soluço
e, porque a chuva é que faz a grama verdejar,
usa dores como se fossem joias do teu diadema

e reina serena, esfinge.

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