A paz

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A paz


20 de março de 2019

Cansada de pensar,
uma mulher levou seus pensamentos
para conhecer o mar.

Sentou-se na areia, olhando o horizonte
bem na divisa onde a onda morre:
de um lado, areia dourada e quente,
do outro, cinza e fria pela água salgada.
O sol tímido de maio já não atraía hordas,
e o Atlântico, naquele dia, era só seu
e dos seus pensamentos balneários.

“Vão, podem brincar à vontade!”
Disse ela, agitando os braços, sumam daqui.
“Pulem ondas como se fosse Réveillon,
peguem jacarés, recolham conchas, sei lá!…
Me deem um minuto de silêncio
para eu escutar as gaivotas; peço
só sessenta segundos serenos”, sentenciou.

E assim os pensamentos foram – todos eles –
brincar na praia e nas espumas das vagas.
Nem deu para contar no relógio, um minutinho,
só o tempo da maré subir um pouco,
e já estavam de volta para a cabeça da mulher.
Já não eram mais os mesmos
nem eram mais tão pesados e barulhentos.

Neste pequeno infinito,
a mulher conheceu
toda a solidão que há nas nuvens.

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