A noite desabou sobre mim

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A noite desabou sobre mim


22 de março de 2019

A noite desabou sobre mim
E não tenho nada para te oferecer.
Senta! Na cabeceira é melhor,
Não terás que pagar a conta.
Além disso, aviso-te:
Poesia é só o que tenho para servir.
Serve-te de água limpa —
Para beberes e para te banhar.

Meu leito está pronto.
Toma o lado direito, que é mais macio,
Mas te aviso:
Tua sede e tua fome
Me são como fumaça —
E eu não posso tocá-las.
Tu ris, mas não é fatal
Posto que não me contagia.

A noite desabou sobre mim,
Eu poderia sangrar em palavras,
Mas não te chamaria.
Compreenda,
Tenho-me oferecida,
Porque, como já sabes,
Só tenho poesia para te servir.
E tu ainda ris uma risada de insistência.

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