A dissolução

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A dissolução


20 de março de 2019

Por puro mistério, Deus e Seu filho único
desceram à Terra numa Sexta-Feira Santa.
Queriam seguir a procissão do Cristo Morto.

Levaram, como toda a gente presente, uma vela;
E, para protegê-la do vento noturno,
meteram-na no gargalo de meia garrafa pet vazia.

Embrenharam-se no meio dos crentes e,
humildemente, repetiram as rezas e os cantos
entoados pelo coral sem ensaio.

– Ave Maria, O Pai nosso, Ave Maria…
– Eu confio em Nosso Senhor,
com fé, esperança e amor!

Passo a passo, em passos de preguiça,
ouviram as súplicas pedidas em pensamento,
misturadas com alguns pensamentos nada católicos.

Eram tantos pedidos, esperançosos, comovidos,
amplificados pelo significado da data,
que Deus resolveu atender alguns, de imediato.

Nada complicado para um Deus, de fato.
Acabada a andada noturna e solene, escolheu,
a esmo, fiéis para promover Seus milagres.

E enquanto cantavam o último hino:
– Vitória, Tu reinarás;
ó cruz, Tu nos salvarás!

Arrumaram a lombar de um; daquele a bursite;
trataram da tristeza de outra;
não fizeram andar ninguém.

Daí, como depois de um filme no cinema, foram-se!
Subiram aos céus.
Nem esperaram os ovos do Domingo de Páscoa.

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