A COSTURA

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A COSTURA


19 de março de 2019
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“Mau-olhado, braço destroncado!”
“O que é que eu costuro?”
“Braço destroncado.”
“Isso mesmo eu costuro!”

Minha’vó costurava doenças e chagas.
Sempre tinha fila na sua varanda de tijolo,
era a clientela esperando por um consolo:
Os pobres coitados com suas dores e pragas.

“Costela doída, carne rasgada!”
“O que é que eu costuro?”
“Carne rasgada.”
“Isso mesmo eu costuro!”

Nenhuma medicina, receita ou unguentos:
Um novelo de meia meio bola; agulha; linha
e um fio de esperança onde a fé se mantinha.
Ali deixavam suas dores, os chaguentos.

“Joelho de vidro, osso renhido!”
“O que é que eu costuro?”
“Osso renhido.”
“Isso mesmo eu costuro!”

A avozinha magra e beata, orava e cerzia
e assim o fez até não poder com a agulha;
benzeu e costurou até a última fagulha.
Ficaram os chaguentos e a varanda vazia.

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