A contemplação

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A contemplação


20 de março de 2019

Eis-me acordado com as luzes acesas.
Olhos estatelados,
pois foi à luz do dia que eu me deitei
e encostei a cabeça no travesseiro de pedra.
Minhas pupilas erraram
através de estradas desprovidas de mapa
num mundo grandioso e desvalido.

E vi, nesse dia transparente e febril,
tudo de cabeça para baixo.
Entre nuvens esticadas e brancas,
pairava minha cama.
Levantei ofegante. Cambaleante,
me apoiei no trinco da porta que girava
feito um carrossel e murmurei: “Exagerei na dose!”

O ar estava espesso, gorduroso.
Minhas pálpebras estavam gordurosas.
Na minha boca, com gosto de cabo de guarda-chuva,
mal cabia a língua inchada e seca.
Ouvi o meu nome, voltei a cabeça
para conferir os fantasmas costumeiros, pensei:
“Tudo isso é um eclipse estranho de janeiro.”

Parecido com quem saíra da barriga do peixe,
após três dias de Jonas a caminho da Espanha,
não me lembrei de desobediência nenhuma.
Meu nome continuava a ser chamado
por mil alto-falantes.
Liberto, decidi continuar a vida linear e respondo:
“Amor, estou aqui! Por que você inquieta meu silêncio?”

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